INTERNAÇÃO



Medicamento contra o fumo chega ao Brasil
Um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, mostrou que apenas 5% das pessoas que tentam parar de fumar conseguem. Experiências com uma nova droga que chega às farmácias brasileiras na quarta-feira sugerem, porém, que esse índice pode chegar a 50%. O Zyban - medicamento anti-fumo lançado há mais de um ano nos Estados Unidos - promete combater a dependência da nicotina com eficácia. Em um ano, mais de um milhão de fumantes foram tratados com sucesso.
Após um ano de tratamento, entre 40% e 60% das pessoas não tinham voltado a fumar, de acordo com o laboratório que produz o medicamento.
A substância ativa do Zyban, a bupropiona, equilibra os níveis dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina no cérebro. Esses neurotransmissores são os que sofrem os efeitos da nicotina, que desregula as reações químicas entre as células nervosas, causando a dependência
Quando a pessoa pára de fumar, ocorre uma queda brutal no nível da dopamina e da noradrenalina, causando os sintomas da síndrome de abstinência: depressão, ansiedade, insônia e irritabilidade. Nessa fase, a maioria dos fumantes tem uma recaída. A droga inibe esses sintomas ao repor o nível dos neurotransmissores.
Outra conseqüência comum de se parar de fumar é o aumento de peso. Isso acontece porque quando o cérebro deixa de receber nicotina ocorre uma série de desequilíbrios químicos que atingem o centro da saciedade da fome, também ligado às vias do prazer. A pessoa passa, então, a sentir mais fome.
- O Zyban não permite que o centro da saciedade da fome seja atingido, eliminando, assim, o aumento de peso tão comum em pessoas que param de fumar.
A nova droga tem dois efeitos colaterais bastante freqüentes: boca seca e insônia. Ela só será vendida com receita médica e virá em caixas com 60 comprimidos. O tratamento, porém, não sairá barato: cada caixa custará R$ 116.
Fonte: Jornal O Globo


Nova vacina evitaria a gripe com uma só dose

O Globo - 5/10/99

BRUXELAS. Pesquisadores belgas anunciaram ontem resultados de testes de um tipo novo de vacina contra a gripe, que oferece a vantagem de só precisar ser aplicado apenas uma vez na vida e de proteger contra todos os subtipos de vírus da doença. Por enquanto, a vacina foi experimentada somente em animais, mas os cientistas disseram que os resultados foram tão promissores, que os testes em seres humanos devem começar nos próximos meses.

A vacina foi desenvolvida na Universidade de Gant, na Bélgica, e sua maior vantagem é a necessidade de uma só dose, o que permitiria a imunização de milhões de pessoas a menor custo. As vacinas existentes oferecem uma margem de proteção de aproximadamente 80%. Além disso, é preciso tomar uma dose a cada ano, uma vez que o vírus da gripe sofre mutações rapidamente e os tipos que causam epidemias mudam, tornando-as vacinas ineficazes.

A equipe do imunologista Walter Fiers, que desenvolveu a nova vacina, disse que os resultados com animais foram muito bons, mas ainda é cedo para saber se ela terá o mesmo êxito em seres humanos:

- Se tudo der certo, a vacinação contra a gripe poderá oferecer proteção para toda a vida. Ela agirá como as vacinas contra a pólio e a hepatite que são tomadas na infância e têm o efeito mantido por toda a vida.

As vacinas funcionam ensinando o sistema de defesa do organismo a reconhecer um micróbio perigoso. O imunizante estimula as células de defesa a produzirem armas específicas contra vírus e bactérias, fazendo que sejam atacados e mortos assim que contaminam a pessoa. Fiers disse que sua equipe descobriu uma proteína do vírus da gripe que nunca muda e aparece da mesma maneira em todos os subtipos. A nova vacina foi feita com essa proteína. O cientista disse que o imunizante poderá ser aplicado por spray nasal.


 

O que são as pílulas contraceptivas de emergência, conhecidas como ‘pílulas do dia seguinte’?
(Esther Cruz Moore, Rio de Janeiro, RJ)

A contracepção de emergência baseia-se no uso de pílulas anticoncepcionais hormonais, nas formulações habitualmente comercializadas, em dosagens mais elevadas (ingestão de maior número de comprimidos) por um curto intervalo de tempo (mais comumente duas doses com intervalo de 12 horas). Não é preconizada como método anticoncepcional habitual, pois a maior ingestão hormonal só se justifica em caráter excepcional e de emergência, para prevenir uma gravidez que pudesse ocorrer a partir de um coito desprotegido ou com falha presumível do método que vinha sendo usado. Deve ser adotada com orientação médica e até no máximo 72 horas após a relação sexual.
A pílula atua alterando o processo reprodutivo, distinguindo-se assim dos métodos abortivos, que procuram interromper uma gestação já estabelecida. É procedimento técnico aceito e preconizado pelo Ministério da Saúde, que ressalta, no entanto, a importância de se divulgar o método e dar acesso à sua utilização com a recomendação de que se trata de um procedimento de exceção, já que a habitualidade pode trazer danos à saúde da mulher.

Yula Franco Porto
Médica coordenadora do programa Atenção à Saúde da Mulher
Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte